De olho em um mercado que deve faturar R$ 13,5 bilhões no Brasil este ano, a norte-americana 4Life e a peruana Ebel, que atuam no ramo de vendas diretas, planejam sua entrada no Brasil em 2007. Segundo André Raduan, presidente do Comitê de Ética da Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas(Abevd), a chegada destas empresas ao Brasil deve movimentar o setor, liderado por nomes como Natura e Avon e que conta com mais de 500 empresas no País. Atuante em mais de 40 países, o Brasil será, para a 4Life, a porta de entrada na América do Sul. A empresa tem como ponto forte a comercialização de suplementos nutricionais, mercado liderado no Brasil pela Herbalife. Para a Ebel, forte no ramo de cosméticos, a estratégia faz parte dos planos de expansão, que prevê crescimento na América Latina e Ásia.
4Life e Ebel investem em venda direta no País
Patricia Morgado
De olho em um mercado que deve faturar R$ 13,5 bilhões no Brasil até o final deste ano, multinacionais que atuam no ramo de vendas diretas planejam sua entrada no Brasil até o fim de 2007. A norte-americana 4Life e a peruana Ebel, gigantes em seus países de origem, já estudam o mercado brasileiro e suas chegadas ao País devem movimentar o setor, liderado por gigantes como Natura e Avon, que detém mais de 80% do mercado nacional. Atuante em mais de 40 países, o Brasil será, para a 4Life, a porta de entrada da empresa na América do Sul. Fundada pelo casal David e Bianca Lisonbee, a empresa conta com uma gama de diversos itens, tendo como ponto forte a comercialização de suplementos nutricionais. No Brasil, este mercado é liderado pela Herbalife, mas também já faz parte do mix de empresas como Amway, Nu Skin e Nature’s Sunshine. Procurada por este jornal, a Herbalife não se manifestou até o fechamento desta edição. Já para a Ebel, forte no ramo de cosméticos, a estratégia faz parte dos planos de expansão da empresa no mundo. Presente em 14 países, a Ebel projeta crescimento em toda a América Latina e na Ásia e conta, atualmente, com mais de 300 mil revendedores, além de lojas em shopping centers e vendas pelo comércio eletrônico em alguns países. Uma das fortes estratégias da Ebel para angariar revendedoras está nos lucros, visto que oferece um ganho de até 40% sobre o valor total do produto. No Brasil, a média geralmente oscila entre 25% e 30%. “O Brasil tem cada vez mais atraído o interesse de empresários internacionais, pois o consumidor brasileiro já agregou este modelo de venda em seus costumes e tradições”, diz Marcelo Pinheiro, diretor de negócios da DirectBiz Consults, consultoria especializada no setor de venda direta no País. Pinheiro conta que, geralmente, os empresários levam no mínimo de 3 a 4 anos para estudar o mercado e os hábitos de cultura e negócio da região. Ele acredita que estas empresas devem, a princípio, tentar atingir todos os tipos de público, mas frisa que existe mais chance de sucesso para as que explorarem o chamado mercado popular. Outro ponto colocado pelo consultor diz respeito ao local de atuação. “As empresas que atuam mais regionalmente têm mais chance de obter não só retorno financeiro como um modelo mais consolidado”, diz o diretor. Para André Raduan, presidente do Comitê de Ética da Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (Abevd), a chegada de novas empresas esquenta e movimenta um setor que conta atualmente com mais de 500 empresas no mercado. “Isto ajuda a cultura da venda direta crescer e dá impulso para que outros segmentos ainda pouco explorados dentro da venda direta possam se expandir”, afirma. Segundo ele, a venda de produtos de cuidados pessoais (que engloba cosméticos e perfumes) é responsável por 87,57% do faturamento total do setor. O restante é composto por complementos nutricionais — como vitaminas (6,28%); cuidados com o lar (5,88%) e serviços e outras categorias (0,27%). Destes segmentos, o que apresentou o maior crescimento foi o de complementos nutricionais, que registrou alta de 30% de um ano a outro e foi um dos responsáveis pelos resultados do setor. “Este tipo de produto é a grande tendência dentro da venda direta e deve crescer muito nos próximos anos. Além disso, as empresas têm investido em produtos com maior valor agregado, como os cosméticos anti-idade, o que têm alavancado a receita do setor”, afirma. A estratégia das empresas parece estar dando certo e o indicador mais preciso disto está nos números do setor no 1º trimestre deste ano, quando faturou R$ 2,9 bilhões, alta de 16% na comparação com o mesmo período do ano passado. Muitas empresas têm apostado em capacitação constante e motivações para fidelizar revendedores e impulsionar os negócios. Dentro destas ações, estão percentuais diferenciados na participação das vendas e prêmios como produtos e viagens. Este é o caso, por exemplo, da Tahitian Noni, que atua no mercado brasileiro desde 2003 e comercializa o suco de noni, fruto cultivado na Polinésia Francesa e que possui, de acordo com a empresa, propriedades preventivas e rejuvenescedoras. Os produtos vendidos no Brasil são importados do Taití. A empresa oferece aos seus colaboradores diversos tipos de treinamentos, realizados em vários países do mundo. Dependendo da quantidade comercializada pelo colaborador, a Tahitian Noni presenteia com viagens nacionais e internacionais, onde estão inclusos os custos de estadia, translado e muitas vezes acompanhante. Por ser um produto novo, a empresa também montou um café na avenida Paulista, importante centro comercial de São Paulo, onde oferece, além dos produtos convencionais, sucos e outros produtos à base de noni. “Esta foi a forma que encontramos para chegar até as pessoas e demonstrar melhor nosso produto, novo no mercado nacional”, diz Mauricio Patrocínio, gerente-geral da Tahitian Noni.